quarta-feira, 3 de outubro de 2007

A necessidade da fofoca (Dissertação)

Domingo à noite. Uma família se reúne para um cobiçado momento no qual todos estão juntos. Momento que hoje em dia é raro. Estão todos reunidos para um jogo que todos gostam e aproveitam para conversar um pouco. Depois de uma semana inteira separados pelo trabalho dos pais, o estudo dos filhos, as necessidades da avó, finalmente podem desfrutar do calor humano, familiar. As piadas típicas da família vêm à tona, os casos engraçados começam a ser lembrados, está tudo correndo perfeitamente bem. Mas, de repente, uma exclamação da mãe coloca um fim a esse momento: “Ih, o Big Brother vai começar!” e como uma casa de palha em um temporal, tudo começa a ruir. Está desfeito o momento tão estimado pela família.

Afinal qual é o poder que o Big Brother tem? Poder que é capaz de transformar uma família unida em simples indivíduos separados, estáticos na frente da televisão. Será que é a força do Big Brother, ou simplesmente a curiosidade humana que fala mais alto? O ser humano tem essa necessidade de saber sobre a vida de seu próximo. No entanto, o que é essa necessidade? O que leva os Homens a serem tão fofoqueiros?

O medo de ser diferente dos demais, da sociedade onde vivem faz com que as pessoas sempre queiram saber da vida dos outros. Para saber quão diferente suas vidas são. Cada um vive sua vida, mas como só vivemos uma vez, não sabemos como fazê-lo. Então é necessário (ou pelo menos as pessoas acham que é) saber como o outro vive, saber as manias, os vícios, os defeitos dos outros, para sabermos se somos normais. Isso justifica o grande sucesso dos “reality shows”, das revistas sobre gente famosa, e até das novelas, as quais não deixam de ser um retrato, mesmo que fantasioso, da sociedade em que vivemos.

E que alívio nos dá vermos que as pessoas são falsas, sim, mentem e enganam, visando seu próprio bem, assim como nós mesmos. Que bom ver que não somos somente nós que estamos atolados em dívidas, que fazemos qualquer coisa, ou quase, por dinheiro. Que alívio nos dá podermos justificar nossos problemas e defeitos. Afinal “se o Fulano de Tal, ator global, lindo e charmoso, pode, então eu também posso, né Bial?”

Assim nossa sociedade se afunda cada vez mais, pois nós começamos a aceitar nossa miséria como ela é, já que não somos os únicos miseráveis. Não é necessário mudar, pois somos todos iguais e ninguém pode falar mal de nós. Então pra que melhorar? Seria muito bom poder ser diferente, ser rico e viver muito bem. Mas se não dá, meu vizinho também está nessa. Estamos juntos nesse barco no qual ninguém pode falar mal do outro. Pelo menos não pela frente.

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